domingo, 29 de janeiro de 2012

Soneto

Agora, aos poucos, posso dizer a segunda palavra
dizer a segunda vez, colocar no corpo a insensatez
fazer fecunda a órbita contraria tanto dita e calada
como se virgens fossemos nesta festa desconfiada

Agora, além, posso dizer que se sinto, ao infinito,
claro como a água na taça ao lado do vinho tinto,
febris passagens entre as bocas amadas eu pinto,
que risadas teleféricas tornam este dia mais bonito

Posso então dizer sem medo, com zelo e decisão
que ao ler minhas vinte estrofes rumo a revelação
vistes como olho atento para a calma desvairada

Querendo dizer com todas as letras e sacrilégios
entendendo que teus beijos não são só privilégios
que és enfim segredo, pura sorte e minha amada.

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