domingo, 22 de janeiro de 2012

São Paulo ao domingo

eu tinha um pouco da sua Africa encarnada, Rimbaud,
    suas cores sangravam nos conduítes
no ponto da liberdade minha nave esperava mansa e ardente
    até onde deixam os parasitas
súbito golpe da vingança nas ruas amareladas da cidade
    em cinzas nos muros pixados de verde
na Santa Cecília jovens experimentam o tamanho do caixão com alegria
    o ramo da peste pende sobre os óculos
    sem face da vida apressada da metrópole acesa
no Largo do Paissandu Aragon desafina um violino
    cruzando a ponte entre a morte e a traição
algas sedentárias nos bancos da Estação da Luz
    prostituem a velhice amarga num coreto de banda
    insetos da alucinação
ouvia um pouco de seu grito, Antonin Artaud
    nos identificávamos como andróginos amantes
de imediato recebo a mordida de um prédio sem janelas
    onde o perdão faz novena envenenada
    onde roubam minha identidade
    onde desabrocho em ruas paralelas
águia do meu sangue fervendo como revolução
    um tiro fura minhas asas de dragão chinês.
   

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