eu tinha um pouco da sua Africa encarnada, Rimbaud,
suas cores sangravam nos conduítes
no ponto da liberdade minha nave esperava mansa e ardente
até onde deixam os parasitas
súbito golpe da vingança nas ruas amareladas da cidade
em cinzas nos muros pixados de verde
na Santa Cecília jovens experimentam o tamanho do caixão com alegria
o ramo da peste pende sobre os óculos
sem face da vida apressada da metrópole acesa
no Largo do Paissandu Aragon desafina um violino
cruzando a ponte entre a morte e a traição
algas sedentárias nos bancos da Estação da Luz
prostituem a velhice amarga num coreto de banda
insetos da alucinação
ouvia um pouco de seu grito, Antonin Artaud
nos identificávamos como andróginos amantes
de imediato recebo a mordida de um prédio sem janelas
onde o perdão faz novena envenenada
onde roubam minha identidade
onde desabrocho em ruas paralelas
águia do meu sangue fervendo como revolução
um tiro fura minhas asas de dragão chinês.
domingo, 22 de janeiro de 2012
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