A noite de reprises, desfolha as praias particulares do meu cérebro. Prado fecundo e aniquilador, picos de respiração, sombra do futuro. Noite silenciosa com braços arrebatadores, lancinantes, irados, soprando sempre a discórdia do pensamento. Cura dos vícios pelos cabelos brancos do amor, recados entendidos convenientemente, Oh!, noite que traz você pra mim. Sonho real e predatório, escalo seus flancos e varro seu medo para além da boca cósmica, derrubo sua muralha de insegurança e coloco no lugar a caravela subindo a montanha com o vento nas velas. Noite de parágrafo único, solilóquio seguro do feitiço engendrado em mim. Noite esguia, fria de suores, perdida de gemidos, repleta de imaginação secreta, noite baixa repetitiva. Aperta em mim sua fumaça canibal e loira, seus cabelos finos de manjericão. Força em mim o tamanho exato das dobras dos dedos da lua. Entorna sinos de papel como chuva de natal. Coma induzido da felicidade aproveitada, noite preciosa, chuva parada.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
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