São Paulo 458 anos de vozes como gaviões inflamáveis e poesia nômade
cidade onde conheci o amor
as máquinas de terraplanagem sufocam seus passarinhos
e onças suturam suas feridas com fios de algas
São Paulo da idade do mundo habitada por elementais feitos indígenas
as grandes garras da insônia pairam sobre suas metáforas
onda de fumaça Felliniana nos restaurantes chics da Avanhadava
capivaras e jacarés no cais da Marginal Pinheiros
São Paulo de trevas ao dia onde pessoas empoeiradas em gravuras de Blake
rosnam a meia noite por um veneno de consolação.
São Paulo cu-de-ferro
São Paulo apóstolo sem orelha
São Paulo antropofagia do delírio
raízes que despencam em carros
asfalto que canaliza o fluxo de seres
zumbis que cumprimentam postes
ilha flutuante na depressão atmosférica do caos
parte do meu corpo que parte dela viciado
dança de ciprestes na alameda da especulação imobiliária
pronome abjeto e passarelas como varais
Baco passa férias nas noites quentes dos amantes do centro
cidade-promessa incineradora
íon visto a olhos nus para-raio de desejos
cinza-azulado do olho do peixe
em sua cama dormem as mulheres de cetim
numa dissonante paisagem de rimas enganadas.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
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